Todo paciente deve fazer um eletrocardiograma ?

Certamente você já escutou que generalizações podem ser desastrosas, aqui não é diferente. O eletrocardiograma, assim como um hemograma, uma radiografia de tórax ou um outro exame complementar qualquer, tem esta função, a de complementar uma ideia. Situações onde as ideias não existam, é pouco provável que um exame complementar lhe ajude, na verdade, se o fizer será muito mais por sorte do que por lógica.

Quando nos deparamos com uma investigação diagnostica, a escolha de um método de investigação complementar deve passar pelo conhecimento das informações que aquele método pode somar ao caso, e não apenas uma questão protocolar. Todo recurso diagnóstico guarda consigo o risco do erro.  Erro este que numa situação branda pode desencadear uma simples cascata mais onerosa, mas numa situação extrema, ela pode ser trágica. Imagine um diagnóstico equivocado de um infarto do miocárdio em um paciente jovem com uma dor torácica muscular que culminou com um cateterismo, onde por fatalidade uma artéria importante foi lesionada ? Será que esta cascata teria acontecido com uma boa coleta da história da dor, análise dos dados epidemiológicos e fatores de risco envolvidos e um exame físico que permitisse reconhecer uma dor localizada ?

Quando estudamos eletrocardiografia passamos a entender uma linguagem técnica, mas de um exame que precisa ser contextualizado, pois caso contrário teremos nas mãos informações que podem mais nos atrapalhar do que nos ajudar.

Todo paciente deve fazer um eletrocardiograma ? A resposta técnica e de bom senso é a mesma, certamente não.